24 Junho 2007

Terror no avião

Bom, tudo parecia tranqüilo pra vir pra cá. Eu com coração apertado, mas sabendo que precisava de férias. Enfim, cheguei aqui numa boa. Ou não.

Ou não mesmo.

Pois bem, caros leitores. Acabei de chegar em Fortaleza. A cidade parece bonita e o taxista era peculiar (falo dele mais tarde), mas deixa eu contar o...

TERROR NO AVIÃO

Cheguei ao aeroporto no horário. 20:20 já estava fazendo check in e meu medo de crise aérea tinha sido anulado com a não existência de filas da Gol. Aliás, o aeroporto tava bem vazio. Fiz o procedimento padrão de entrega de malas e fui lanchar alguma coisa, pois a fome imperava.

Após confundir minha bendeja com a de outro sujeito e o mesmo não reparar que eu tava desfrutando das batatinhas de outrem, lanchei e fiquei no saguão. Até esse momento tava tudo certo.

Quero esclarecer que não sou MATUTO ou um ROCEIRO. Já viajei por vários lugares e até morei fora desse paraíso tropical chamado BRASIL. O problema é que meu portão (de número 10) tinha uma fila monstruosa pra embarcar. Pensei: vou esperar, porque fila é coisa de aidético.

Esperei, esperei, esperei. O embarque era às 21:40 e eu ali já nas 21:30 e a fila parada. Nesse ínterim o chamado pro embarque estava como imediato, ms cadê a fila andando, meu deus? Descobri falando 5 minutos pro avião decolar que aquela fila era pra outro vôo, mas eles estavam ali já esperando o chamado, ANTES DE SEREM CHAMADOS. Ou seja, estavam ali esperando pra esperar. Sabe como é?

Pensei: é só uma adversidade. Certeza que minha ida será com muito leite de pêra e ovomaltine.

Errado.

Minha poltrona era a 3D, no comecinho e corredor. Pois bem, cheguei, sentei e todo mundo com uma trmenda cara de bosta pra mim. ia falar o que? "Ei, galera, fiquem ai na moral que o parente de vocês tava fazendo fila lá fora!" Não, não. Fiquei pianinho. Nessa hora você começa a relaxar e observar quem está ao seu redor. Na minha frente eram 2 velhos da política cearense. A nata das piadas de barbeiro. A referência pra piadas batidas do Chico Anysio. Qualquer metáfora pra mostrar a sem gracice que eram os dois, fazendo piada de tudo e todos. A conversa dos dois(ouvidas até a vigésima poltrona) eram sobre lavagem de dinheiro no melhor estilo matéria do fantástico, piranhudas da caatinga que tinham emprenhado e outras conquistas que Lampião ficaria orgulhoso (tá, sei que o caolho matador era DO PERNAMBUCO). Do meu lado esquerdo, no outro lado do corredor, um típico sujeito que coseguiu suir na vida com muito esforço, muita garra e determinação. A cara de povo brasileiro, castigado pelas injustiças e desgraças sociais. Era um baianão com um discman(isso, desse bolachões) da COUGAR, boné de couro com bandeira do Brasil e uma fotográfica digital boçal. O sujeito ouvia o som tão alto que claro não ouviu a ordem de "desligar todo e qualquer aparelho eletromagnético...". Se bem que tenho lá minhas dúvidas se ele ouvisse isso ia sacar que aquele manjar tecnológico em 24 x nas Casas Bahia poderiam fazer qualquer mal ao incólume avião. Desgraçado, me fez ficar com medo do "radar"do avião pifar e eu morrer no meio do mato. Atrás de mim um velhote lendo jornal e botava o mesmo apoiado na minha poltrona. Ele lia o rodapé do jornal na altura dos ombros e deixava o resto do jornal cair pela minha cabeça. Mas o personagem mais marcante desse avião brutal do scat foi uma menina de 12 anos. Ela tinha alguma doença motora e era cadeirante. Aposto que já tem gente ai achando que vou zoar a coitada e que tá perguntando se eu faria isso se fosse minha filha. Mas deixa eu contar. Pois então, a mãe botou a enferma na poltrona e ela ficou na dela, quietinha. Achei que além de tortinha, fosse mudinha. Assim que o avião foi pressurizado e vem aquele TOC no ouvido, a tortinha começou a grunir, no melhor estilo espíritos malignos em "Ghost - do outro lado da vida" e o medo reinava.

Me lembrou a viagem que fiz (que vou relatar no top 5) pra Belém de ônibus. Foi uma das maiores roubadas da minha vida e achei que ia pegar cólera naquela caralha. A sensação de Déjà vu era latente.

Pois bem, já acostumado com a idéia de passar três horas e meia ouvido o disco do Ary Toledo non stop, resolvi dormir antes da tortura ficar maior. Assim que cochilei, a aeromoça passou com o lanche. Aceitei o sanduichinho e NHAC! Hmmm...pão, queijo e SALAME. SALAME, porra! Cospi sem cerimônias. Se vai servir comida com esse animal maldito, que me falasse (momento pro leitor me chamar de bichinha e falar que é frescura, mas lembrem-se que não como porco). Só comentei isso, porque o sujeito da frente, o Raimundo Nonato, fez o mesmo. Só que ele se emputeceu dum jeito que vale esse relato todo. Segue a conversa dele, após se levantar enfurecido por ter porco na comida dele, e a aeromoça, constrangida e com cara de "não quer? não come":

Nonato: Minha senhora! Isso aqui não é carne branca!
Aeromoça: Não. É Salame, queijo e pão.
Nonato: Esse animal é blasfêmia! Me veja carne branca!
Aeromoça: Os lanches são padrão. Não temos carne branca. Mas me desculpe a dúvida, carne de porco não é carne branca?

Nessa hora eu soltei o riso. Era uma fila de diferença e aquilo ali na minha frente tava demais. Nem lembrava mais do gosto podraço de salame. Só queria saber se o sujeito ia baixar o nivel de vez. Se fosse, tava lá pra torcer.

Depois do nosso herói do sertão dizer que era Testemunha de Jeová (lembrem-se que era o mesmo que enaltecia a beleza das xanas do interior e explicava como lavar dinheiro) e tudo se resolver, voltei a adormecer.

A aeromoça tinha desligado todas as luzes. Deixou somente o dos avisos luminosos, ou seja, nada. Assim que o avião começou a fazer a aterrissagem, a pressão dentro do avião mudou e fez de novo aquele TOC no ouvido. Dessa vez eu tava dormindo, na minha, relaxado e eis que surge um grunido, mas dessa vez parecia o Sloth (Goonies) possuído pelo demônio. Sim, amigos, a nossa amiga cadeirante resolveu mostrar os dotes de Napalm Death e eu acordei num cagaço absurdo. Como não vi nada aceso, o berro feio ecoaa pela aeronave e eu tinha acabado de sonhar com Lost, meu pensamento foi único: fodeu, morri.

15 segundos se passaram e vi que era besteira minha e relaxei. Pousamos e peguei minha mala, a terceira a chegar na esteira. Peguei um táxi e saindo do aeroporto um ônibus da CVC entra na contra mão, como um cavalo no cio. Maldito. O taxista, TONHÃO DO CEARÁ (nome dele), enfurecido, bota a cabeça pra fora do veículo e solta: Sai dai que quero comer tua mulher!

Colegas, achei o sujeito ia ter um treco. O cara não batia bem. Ficamos ainda uns minutos até o ônibus manobrar e dar o fora. Nesse meio tempo ficamos papeando até que:

Taxi: Não gosto de motorista.
Eu: Mas o senhor é o que?
Taxi: Piloto.
Eu: Ando de moto.
Taxi: Já matei 3 motoqueiros na rua.
Eu: (medo)

10 minutos depois estava no hotel e começando esse relato.

5 comentários:

hianna disse...

"carne de porco não é carne branca?"

"parecia o Sloth (Goonies) possuído pelo demônio."

"Já matei 3 motoqueiros na rua."

AHAHAHAHAHAHA. me mata de rir com esses seus relatos!

carolyne disse...

Pois é!
Tenho certeza de que a história foi esta msm...O lance é o jeito que ele conta!
Ain...Posso imaginar os grunidos!hauehauheauheuahea
E a cara do Lindoso com medinho!
aheuaheuahuehauhea

Então, vê se compra um souvenir pra mim neste Ceará!

andrechaos disse...

hihihihihihi

achei do caralho. hahaha

ja trombou o dogras? ansioso pela sua chegada sexta!
:*****

Thaís disse...

kkkkkkk
Vc foge dessas aventuras... Só que elas te perseguem...
Vc me mata de rir!!

Rodrigo disse...
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