03 Julho 2007

Top 5: adolescência UM (1)

Tive uma idéia cretina de fazer um top 5 de cada fase da minha vida.


É simples. Seleciono 5 grandes momentos (constrangedores ou não) e relato aqui com alguns detalhes jóias. Vou fazer do começo até o final. Vão ser as fases: infância (0 - 11); adolescência 1 (12 - 14); adolescência 2 (15-19); jovem (20-23); adulto(23 - ...). Agora sim o leitor anônimo vai FRITAR NA VIBE desse blog. Vai, né?

É com prazer (é mais vergonha, mas beleza) que apresento o glorioso TOP 5!!!!

Top 5: adolescência UM

Em 1992 eu tava pra fazer 12 anos. Depois de ver o fim do nirvana, Magic Johnson falar que é HIV positivo, carros importados serem comuns nas ruas brasilienses e toda nova tecnologia dos telefones Cobra emplacarem nos emergentes brasileiros, filho da terra do futuro. O Brasil era pura novidade pros próprios brasileiros, que estavam acostumados com falta de comida nos supermercados e carros arrombados andando por ai. Até hoje meu pai fala que carro legal era passatão e golf é bosta. Risadas à parte, deixemos ele nos sonhos dourados de outrora. Lembrando tamém que o plano Collor/Bresser criava o emrião maligno dos 10% sobre o FGTS e Marcelo Negrão enfiava uma trolha nos gringos, trazendo o ouro pro BRAZA! Muitas emoções, né?

Eu era um menino bonzinho, quando criança. Entretanto acabei virando um delinqüente danado e com poucos escrúpulos. Vocês verão que durante esses 10 contos da adolescência, fui um rapaz que não morri porque Deus esqueceu de chamar. Mas ele não esqueceu de me sacanaear. E é aqui que o top 5 sobre adolescência começa mesmo.

Mudamos da 703 sul e fomos morar numa casa maneira no Lago Norte. Pra quem morava à beira da pista, com ônibus passando, ciganos imundos enchendo o saco e mijando no nosso quintal, gente bizarra de todo tipo, o Lago Norte (bairro bacana daqui de Brasília) era nosso refúgio de vida plena e completa. Era uma casa legal, porém tinha alguma coisa estranha na casa. Descobrimos um tempo depois que aquela casa foi dum sujeito da Receita Federal, que tinha a construído pra entregar ao filho, no dia que casasse. Só que a história que contavam era que aquela casa era amaldiçoada. Pela versão da voz do povo, um dia o filho do carinha da Receita voltou pra casa e encontrou a noiva ENFORCADA no meio da sala. Não conseguiram vender a casa, porque todo mundo do bairro conhecia essa história e resolveram alugar pra algum imaturo, nós.

Eu, como cagalhaço que era, não curtia ficar na casa. Nessa época eu comecei a ouvir Rock`n Roll. Sim, galera. Eu sou esperto, gostoso e cheio de swing assim porque fui espertinho e ouvia um verdadeiro rock farofão na época. O AC/DC me convidava pruma dança gostosa e descontraída, mas hetero, caras. Nada gay, porque na época não havia homossexualismo no rock. Até o Poison e os cabelos pufantes do Twisted Sisters era somente uma mostra que nem vestidos de mulheres os manos eram BICHAS.

Nessa mesma época eu comecei a provar as qualidades do cigarro de bali, febre entre a população de 12 aos 17 anos do Lago, e do álcool. Era uma época que eu fugia de casa pra aprontar.

Numa dessas eu estava andando pelo comércio local, perto da minha casa. Lá tinha uma banca de jornal e claro, revistas pornôs. Fiquei louco pra ter aquilo, mas como? O jornaleiro era um velhote com uma berruga na cara. A berruga era tão antiga quanto ele e já tinha vida própria. A berruga não me deixava enfrentar o velhote e comprar a tão desejada revista com senhoritas maravilhosas. Observando firmemente a banca, vi que tinham inscrições sugestivas: ABERTA 24 horas. Essa informação foi suficiente pra eu bolar meu plano pra conquista do universo pornô. Iria de madrugada pra lá e certamente o velhote estaria dormindo o décimo sono.

Tênis da Drop Dead, camiseta preta da VISION STREET WEAR, bermuda da COMPANY. Sim! Estava vestido para meu primeiro furto. Se eu seria bem sucedido? O que uma futura bronha na pressão não faz, meu caro leitor? Pois bem, rumei para a banca e tomei cuidado para não ter ninguém na rua, pois poderiam testemunhar em meu desfavor. Lá chegando, na ponta de meu poderoso drop dead, estiquei o pescoço de longe, pra verificar se o velhote estava dormindo mesmo. Meu sucesso estava quase garantido. O velho estava dormindo, não tinha ninguém na rua e eu estava com a coragem pra tal ato.

Passo a passo eu seguia rumo à minha eterna felicidade sexual juvenil. Niinguém poderia me deter.

Nessa época começou a febre das plaquinhas nos comércios, com um smile, avisando: SORRIA! Quem era da época, pode lembrar que não havia o aviso do porquê pra sorrir. Na minha cabeça de maloqueirinho, era só coisa de algum WALTER MERCADO pra mandar coisa de bom fluído e assim vai.

VITÓRIA! O karma infantil havia sumido, então. Já conseguia minhas primeiras vitórias no campo da maloqueiragem e aquilo era símbolo duma nova era, depois da festinha da minha amiguinha da Thomas Jefferson.

Dentro da banca, escolhi uma que toda molecada tava fervorosa: Playboy da Mari Alexandre. Peitudona cavalar, sem pudor e que intrigava a mente dos que entravam na puberdade. Peguei com todo cuidado a preciosidade, botei dentro da camisa e lentamente fui me dirigindo à saída. Lá chegando, de maneira silenciosa fui até a área externa do estacionamento e ai sim corri feito um louco. A Adrenalina a mil me dava o gás pra correr até chegar em casa e pular o muro, já que o portão de casa fazia um barulho maldito quando era acionado. Muro pulado, entrei no quarto e fiquei bem uns 15 minutos olhando aquela revista.

No dia seguinte, depois de apreciar a revista, mas sem fazer o devido uso (queria um momento especial só meu e da Mari, para os íntimos), retirei do armário. Eu guardava tudo que era porcaria numa parte do armário que só eu tinha a chave. Nesse meu armário tinha um canivete (todo moleque retardado de 12 anos tem um); um pé de cabra (que achei numa obra perto de casa); uma bola de basquete que peguei do Pato, o vizinho rico e arrombado que ninguém gostava; e um pôster do BODY COUNT.

Após levar a revista e exibir a todos meus amigos da escola, fiz o mesmo com a molecada da rua. Claro que fui tido como um menino SAGAZ, que conseguia ler coisa pra maiores de 18 anos. Dentro de casa eu guardava aquele tesouro enviado por Hugh Hefner. Guardava com todo segredo, pois não ia bater um papo sobre as tetas da Mari Alexandre com meu pai. Muito, mas muito menos papear sobre a vagina apertada, mas usada da já referida senhorita.

Vale lembrar que a nossa casa no Lago Norte era muito grande, com vários cômodos. O meu apartamento atual é do tamanho do banheiro do quarto de casal. Ou seja, mais de 50 m² com banheira, 2 pias, 2 privadas, um chuveiro todo moderno e uma vista pro lado de fora. Tudo pra promover os melhores momentos naquele ambiente aconchegante. A minha primeira vez com Mari seria ali, naquele harém casto e divino, já que minha mãe tinha ciúmes daquele banheiro. A casa podia ser demolida, mas o banheiro não podiam chegar perto.

Pra criar um ambiente de AMOR, abri as torneiras de água quente. A banheira era dessas redondas, com hidromassagem. Bem cara de motel. A água foi subindo e eu despejei uns sais que minha mãe tinha pra momentos ESPECIAIS. Já que eu comeria (na minha imaginação) a Mari, era um momento mais que especial.

O vapor tomava conta do ambiente, mas por uma questão de princípio, sentei no trono pra folhear a revista. Com aquele vapor, o brilho de Mari me seduzia. Fração de segundos até meus novos hormônios entrarem em ação e eu me descontrolar. O trabalho manual executado não vai ser detalhado por motivos óbvios. Tenho limite pra cuspir pra cima.

Nesse dia, meus pais voltaram mais cedo. Estavam comemorando alguma coisa. Lembro que meu pai, advogado, tinha conseguido vitória em alguma causa complicada e iam tomar um belo banho para jantarem fora.

Nesse ínterim eu já estava naquele grau de velocidade extrema e quase tendo um colapso. O mundo poderia entrar na terceira guerra mundial que eu não ligaria. A única coisa que me importava era o diâmetro da mama de Marizinha. O suor e o vapor já se misturavam na pele de minha cara. Era um swing precoce cheio de malícia. Assim que cheguei na PLENITUDE, a porta do banheiro, destrancada, abriu.

Em um reflexo a milhão, me abaixei e só tive uma saída: fingir que estava com uma dor de barriga colossal. Meus pais, preocupados, foram me ajudar na suposta enfermidade intestinal. Entretanto eu já estava despejando meu caldo do amor, mas sobre a minha coxa. Meu pai viu aquilo, viu a revista aberta e soltou: “MOLEQUE, ta usando nosso banheiro pra SACANAGEM?”. Minha mãe se calou e foi pro quintal, respirar um ar fresco e pensar no que ia fazer comigo.

Me recompus e meu pai, nessa época era bem irritado, esperou eu terminar de me vestir e ai sim me daria uma bela surra de cinto. Depois de apanhar igual cachorro velho. Fui questionado da origem daquele artefato. Mesmo sabendo que apanharia se não falasse, apanharia mais se falasse. Optei pelo menos doloroso e escondi o segredo.

Dias depois, com alguns hematomas e várias vergonhas, fui pagar uma conta do banco pra minha mãe, lá no comércio. Na minha cabeça, já tinha pagado minha dívida com a sociedade em relação ao ocorrido, entretanto o velho da berruga ainda existia. Lembra da placa do “SORRIA!” com um smile? A tensão na época era que aquela placa não era explícita ao dizer que a pessoa estava sendo filmada. Eu fui, o velho viu a fita e prontamente me reconheceu ali, na fila do banco. Enquanto isso minha mãe, no carro, me esperava, pois tinhas aula particular (sim, eu era vagabundo e precisava dessas coisas pra não repetir de ano). O Berruga se levantou do banquinho, atrás do balcão. Manco e troncho, veio em minha direção. Na hora que vi aquela deformidade vindo pro meu lado, não pensei duas vezes. Corri pro carro e falei: “TO COM DOR DE BARRIGA! BORA! BORA! AI! AI!!!”. Minha mãe desesperada pela cena, acelerou tudo e voltamos pra casa, antes do retorno, dei a idéia: “Não, melhor me levar pra aula, senão atraso e já viu, né? Perco matéria e não quero repetir de ano.”. Ela ficou até orgulhosa deu ser tão corajoso e segurar a dor, em nome dos estudos.

Só sei que fiquei mais de 3 meses sem aparecer naquele comércio. Meses depois passei lá e o Berruga tinha mudado a banca pra outro bairro. Nunca mais vi o Sloth das notícias e nunca mais roubei revistas pornôs.

2 comentários:

Naomi disse...

Marco Antonio x Mari Alexandre

<3
<3
<3

hehehehe

Constrangedor, heim?!!

=*

Doña Gutierrez disse...

quanta malandragem!